Cortar o açúcar: Quais os benefícios?

Cortar o açúcar: Quais os benefícios?

Eu ainda era criança e já sabia que o açúcar faz mal à saúde. Eu tinha por volta de 10 anos, tomava facilmente 2 litros de refrigerante em um dia, e pensava que seria necessário mudar hábitos e cortar o açúcar para melhorar minha qualidade de vida no futuro. Ao mesmo tempo, vinha a dúvida: como ficar sem açúcar? 

A resposta não é simples, mas eu posso adiantar um resultado dessa nova vida: estou há 23 anos sem dar um gole em nenhum tipo de refrigerante, e não sinto a menor falta. É verdade que o açúcar vicia – mas, ao conseguir abrir mão dele, em até 30 dias, já é possível obter resultados. Não foi um processo fácil. 

Já na vida adulta, a rotina turbulenta na área da saúde me empurrava para os doces. Como muitos desses alimentos, além de supostamente saborosos, vêm prontos da indústria, conseguia “me alimentar” rapidamente e continuar a jornada de trabalho. Comia uma lata de leite condensado por semana, sem me dar conta de que isso contrariava a quantidade máxima que um ser humano deveria consumir de açúcar em um dia: 25 gramas. 

Foi em 2017 que resolvi cortar o açúcar por 30 dias. Os benefícios que uma dieta sem doces me trouxe são tantos que estou há três anos sem eles e hoje, na minha melhor forma, não me arrependo dessa decisão. 

Qual açúcar devo cortar? 

Quando falamos que é preciso cortar o açúcar, logo vem a dúvida: as frutas não têm açúcar?

Sim, claro. Por isso é importante diferenciar o açúcar adicionado do açúcar presente naturalmente nos alimentos, porque açúcar não é tudo igual. 

Quando falamos de açúcar —branco, conhecido também como de adição ou de mesa—, falo da sacarose, um açúcar composto pela associação de 2 monossacarídeos (glicose e frutose), formando uma classe de carboidratos conhecida como dissacarídeos. Esse produto é adicionado artificialmente pela indústria para deixar o alimento hiperssaboroso e/ou ajudar a conservá-lo. É composto basicamente por sacarose e xarope de milho com alto teor de frutose (isso mesmo, o açúcar das frutas). 

O excesso de açúcar pode provocar doenças metabólicas como obesidade, diabetes, cardiopatias entre outras

O açúcar adicionado é diferente daquele resultante da digestão dos carboidratos, cuja supressão da dieta é mais complexa e nem sempre necessária. 

Muitos são os aspectos estruturais e metabólicos que diferenciam os carboidratos pela complexidade de cadeia, processo digestivo, por suas funções e vias metabólicas. Logo, é importante que fique claro que os carboidratos não são todos iguais. 

Por que o açúcar vicia? 

Muitos relatos de compulsão alimentar envolvem o consumo excessivo de alimentos com açúcar adicionado.

Uma série de estudos mostra que o açúcar afeta o sistema de recompensa do cérebro, que está envolvido no comportamento compulsivo/vício.

A comida é uma recompensa natural, e os alimentos e bebidas doces estimulam o sistema de recompensa do seu cérebro, fazendo com que você tenha um impulso de comer mais. Na literatura científica, a associação entre o açúcar, as bebidas açucaradas e os alimentos gordurosos com a ativação desse sistema de recompensas é amplamente discutida e verificada empiricamente.

Esse fenômeno pois o açúcar desencadeia a liberação de dopamina no nucleus accumbens —a mesma área do cérebro envolvida na resposta a drogas viciantes. Vale lembrar que a dopamina é um neurotransmissor ligado à sensação de prazer e motivação, o que tem tudo a ver com o que estamos discutindo aqui. 

Ocorre que esse sistema de recompensas no nosso cérebro nunca está satisfeito. De tempos em tempos, ele se acostuma com a quantidade ingerida e “pede mais” para obter a mesma sensação prazerosa. 

E como cortar o açúcar? 

Cortar o açúcar: Quais os benefícios?


A supressão repentina do açúcar adicionado, sobretudo entre quem faz uso de grandes quantidades, pode provocar efeitos como crises de ansiedade, dor de cabeça, mudança no sono e oscilações de temperamento.

É preciso obter ajuda especializada para conduzir esse processo.

Você pode descobrir que seus sintomas pioram em determinados momentos do dia, como entre as refeições. O estresse pode desencadear desejos por açúcar, então você pode descobrir que seus sintomas pioram durante os períodos de forte emoção ou ansiedade aguda.

Esses processos são os famosos “gatilhos”, sobre os quais é preciso ter bastante vigilância para não enfrentar recaídas.

O ideal é que a eliminação total do açúcar adicionado seja monitorada, sobretudo no período inicial da nova alimentação, a fim de evitar sobressaltos emocionais.

De um modo geral, as dicas abaixo ajudam a obter esse objetivo de uma forma mais tranquila: 

  • Suprima o consumo de bebidas durante as refeições. 
  • Troque bebidas adoçadas por água ou água saborizada; alguns chás de frutas podem ajudar neste processo. Reduza o consumo de refrigerantes, suco de frutas e bebidas energéticas – substitua-os por água pura ou com gás. Se precisar de um toque de sabor, adicione um pouco de hortelã ou rodelas de limão ou lima na água.
  • Comece o dia consumindo alimentos com baixo teor de açúcar.
  • Leia os rótulos. Uma dica: os itens que compõem os ingredientes de um produto aparecem na ordem de quantidade. Observe que o açúcar quase sempre vem primeiro… 
  • Escolha lanches sem açúcar. 
  • Repense a sobremesa. Realmente é preciso comer algo depois do almoço ou da janta? Se sim, aposte em nozes, cereais sem açúcar ou até mesmo em frutas.
  • Evite alimentos ultraprocessados (quanto mais ingredientes no rótulo, maior a chance de ser um ultraprocessado).

E quais os benefícios de ficar sem açúcar?

Depois de um mês sem açúcar adicionado, comecei a perceber uma melhora expressiva em muitos aspectos – incluindo questões comportamentais e de aparência física. Depois de mais tempo, as demais vantagens começam a aparecer. 

  • Melhorar a composição corporal, com redução de gordura visceral; – Melhorar o sistema cardiovascular, melhorando a pressão, reduzindo LDL e aumentando HDL; 
  • Reduzir os riscos de diabetes tipo 2; 
  • Reduzir riscos de câncer; 
  • Melhorar a saúde mental; 
  • Reduzir as oscilações de humor e aumentar a disposição; 
  • Aprimorar as funções cognitivas, diminuindo as chances de doenças degenerativas;
  • Reduzir os riscos de asmas e doenças alérgicas. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *