Perda de peso? Conheça fatores que podem atrapalhar

Quer perder peso? Conheça fatores que podem atrapalhar seus planos

Quem almeja a perda de peso já conhece de cor e salteado as recomendações genéricas para alcançar o peso ideal: alimentar-se bem e com regularidade, praticar exercícios físicos, ter boas noites de sono e evitar hábitos pouco saudáveis.

Muita gente até segue essas regras durante um tempo, mas como não obtém resultados, acaba se perguntando: por que não consigo alcançar a perda de peso?

A partir de então, é comum abandonar a dieta e a rotina saudável e partir para aqueles inimigos bem conhecidos da saúde: alimentos industrializados, sedentarismo, bebida alcoólica em excesso, entre outros impulsos e desestímulos.

E aqui não estamos defendendo nenhuma cruzada contra nada disso: é claro que podemos comer uma pizza ou sanduíche vez ou outra, ou até mesmo comer uma sobremesa com parcimônia no fim de semana. O que não devemos é fazer de tudo isso uma rotina de impulsos e compensações.

De todo modo, muita gente acaba não se conformando com a falta de resultados e mantém uma lógica perversa de insatisfação com o próprio corpo.

Esse ciclo de rejeição da autoimagem e de manutenção dos hábitos pouco saudáveis cria uma sequência de problemas que às vezes não aparecem de uma hora para outra.

Por isso, tudo precisa estar bem estruturado para que você melhore sua saúde e emagreça de forma saudável.

Nessa hora, é importante começar a cogitar alguns fatores fisiológicos, muitas vezes imperceptíveis, que podem estar criando obstáculos para esse objetivo. São questões secundárias do ponto de vista do ganho e da perda de peso, mas que têm papel fundamental no sucesso das metas rumo à perda de peso.

Vamos conhecer os principais fatores fisiológicos que impactam nesse processo?

Talvez você nunca tenha ouvido falar em síndrome metabólica nesses termos, mas conhece suas principais consequências.

A síndrome metabólica é uma consequência associada (comorbidade) da obesidade, que pode desencadear diabetes tipo 2, câncer, e outras enfermidades.

Também conhecida pela sigla SM, a síndrome metabólica é definida como um conjunto de alterações metabólicas, fisiológicas, bioquímicas e clínicas, caracterizadas por: 

  • – obesidade central; 
  • – resistência insulínica; 
  • – nível elevado de triglicérides; 
  • – baixo nível de HDL-colesterol; 
  • – pressão arterial alta.

Ela está relacionada com a resistência à insulina, cujas principais causas são a ingestão de carboidratos simples, como arroz, pão branco, macarrão, biscoitos e todo tipo de açúcar: refinado, mascavo, demerara, cristal, sacarose, glicose e xarope de frutose

A insulina, como sabemos, é responsável por transportar a glicose (açúcar) até as células, para que ela seja utilizada como combustível.

Receptores de insulina em seus músculos funcionam como um sistema de “chave-fechadura”: as ligações de insulina em um receptor de insulina viram a chave e permitem que o açúcar entre no músculo.

Mas, com a resistência à insulina, o hormônio não pode abrir a porta. Isso faz com que pessoas com síndrome metabólica não consigam captar açúcar em seus músculos de forma tão eficiente quanto alguém sem a condição.

Apneia do sono

Quando os músculos não podem usar a glicose, o destino dela é outro: ser armazenada como gordura

Esse distúrbio é caracterizado por episódios repetitivos de obstrução parcial ou total da via respiratória enquanto a pessoa dorme.

As pausas respiratórias durante o sono são definidas como uma parada (apneia) ou redução (hipopnéia) da passagem de ar pelas vias aéreas superiores (VAS), com duração mínima de 10 segundos, podendo chegar a um minuto ou até mais.

A apneia do sono é considerada grave quando se manifesta em mais de 30 eventos por hora durante o repouso – razão pela qual um exame é muito importante. Quando não tratada, pode contribuir para doenças cardiovasculares, como infarto, AVC e hipertensão arterial, diabetes e outros riscos à saúde em longo prazo. Em algumas intervenções de que participei no Instituto do Sono com pacientes com obesidade ou sobrepeso, havia uma grande quantidade de relatos de pausas respiratórias durante o sono e roncos muito intensos.

As pessoas acabavam acordando exaustas e com oscilações de humor, duas consequências notáveis da falta de sono de qualidade. 

O problema é que temos o hábito de romantizar o ronco e o sono ruim, como se fossem características inatas da pessoa.

No entanto, é preciso cuidar do período em que estamos dormindo tanto quanto cuidamos do tempo de vigília, a fim de alcançar maior qualidade de vida.

O sono ruim dificulta o emagrecimento porque é funciona como gatilho para dois comportamentos endócrinos paralelos que alteram a ingestão de alimentos: a diminuição do hormônio anorexígeno leptina e o aumento do hormônio orexígeno grelina, resultando, assim, no aumento da fome e da ingestão alimentar.

Em um experimento realizado por Spiegel e colaboradores, a privação de sono em homens foi associada a um aumento de 28% nos níveis da grelina, diminuição de 18% nos níveis de leptina e aumento de 24% na fome e de 23% no apetite. 

Problemas na tireoide que atrapalham a perda de peso 

A tireoide é uma glândula intimamente ligada à atividade metabólica e, portanto, aos ganhos e perdas de peso. Essa glândula fica posicionada em nossa garganta e, em condições normais, tem a forma de uma borboleta.

A tireoide atua nos seguintes processos: 

  • – Gasto calórico;
  • – Produção energética; 
  • – Retenção de líquido; 
  • – Estímulo de apetite; 
  • – Ganho de peso; 
  • – Qualidade de sono; 
  • – Concentração; 
  • – Libido; 
  • – Fluxo menstrual; 
  • – Outras tantas variáveis que participam diretamente da nossa qualidade de vida.

Entre as principais enfermidades dessa glândula, estão duas bem conhecidas do grande público, que sempre se questiona: qual a diferença entre hipotireiodismo e hipertireoidismo? A atividade tireoidiana é regulada por um hormônio hipofisário, o “hormônio estimulador da tireoide” ou TSH.

Essa substância é produzida na hipófise e tem sua síntese controlada por outro hormônio, o TRH. A produção tem regulação por feedback negativo dada pela presença de T3 e T4 circulantes.

A tireóide secreta, principalmente, dois hormônios relacionados ao iodo, a tetraiodotironina (T4) e a triiodotironina (T3), que é a forma ativa do hormônio tireoidiano. Quando há uma secreção anormal de T4, ocorre uma aceleração metabólica basal em até quatro vezes.

Uma pessoa com atividade alta da tireoide pode perder peso rapidamente e ter diversos outros sintomas que, em conjunto, levam à à doença conhecida como hipertireoidismo. Em contrapartida, o hipotireoidismo é caracterizado por uma atividade baixa da tireoide e leva a uma redução da taxa metabólica basal, o que resulta no aumento de peso corporal e composição de gordura.

Vale lembrar que menos de 3% das pessoas obesas mostram funções tireoidianas anormais.

O metabolismo corporal é influenciado por esses hormônios, sendo que na fisiologia normal do corpo humano uma redução da taxa metabólica basal estimula a liberação hipotalâmica de TSH, aumentando a produção por parte da tireoide e elevando o metabolismo de repouso, em um mecanismo de feedback. 

Cortisol: o que é, para que serve? 

O cortisol é um hormônio da família dos esteróides, produzido nas glândulas suprarrenais, diretamente ligado à resposta ao estresse.

Você já notou que quando fica nervoso a cabeça dói, os músculos ficam mais tensos, você pode ficar mais irritado e até descontrolado? O estresse afeta a sua saúde física, mental e emocional.

Se essa sensação é percebida em situações esporádicas, realmente extraordinárias, não há com que se preocupar. Mas se o estresse estiver sempre presente —que é o que acontece com uma grande parte de pessoas que vivem nervosas e estressadas o dia todo no trabalho, por exemplo—, pode acontecer uma superexposição ao cortisol. Daí você me diz: “Como certinho o dia inteiro, mas quando chego em casa quero atacar a geladeira“. Essa é uma típica ação do resultado da superexposição ao cortisol.

Recentemente, um estudo revelou que pessoas com cortisol alto têm 42% mais chances de perder a vida caso sejam contaminadas pelo coronavírus, mais um motivo para preocupação.

Outro estudo, de 2015, mostrou que nosso corpo metaboliza mais lentamente sob ação do estresse. O estudo descobriu que as mulheres participantes que relataram um ou mais estressores e evitar hábitos pouco saudáveis.durante as 24 horas anteriores queimaram 104 calorias a menos do que as mulheres “não estressadas”.

Pequenos aumentos nos níveis de cortisol em resposta ao estresse são normais e, provavelmente, não causam efeitos colaterais negativos. No entanto, em certos casos, os níveis de cortisol podem permanecer cronicamente elevados. Isso geralmente é devido ao estresse ou a uma condição como a síndrome de Cushing.

A síndrome de Cushing é caracterizada pelo acúmulo de cortisol no sangue, e que possui os seguintes sintomas: 

  • – Ganho de peso ao redor do tronco; 
  • – Ganho de peso no rosto (face de lua); 
  • – Perda de gordura nos braços e pernas.

A síndrome pode ser medicamentosa (nesse caso, passa ao término do tratamento) ou adquirida em função do metabolismo da pessoa. 

O que é o ovário policístico? 

A síndrome do ovário policístico (SOP) é uma condição feminina comum caracterizada por características reprodutivas, hiperandrogênicas e metabólicas, sendo uma doença genética agravada pela obesidade.

Existe uma estreita ligação entre obesidade e SOP com base em dados epidemiológicos e, mais recentemente, corroborada por estudos genéticos, além de mecanismos que relacionam os efeitos do ganho de peso e da obesidade no desenvolvimento da SOP. Em mulheres com predisposição genética para o desenvolvimento de SOP, o ganho de peso e a obesidade frequentemente resultam em sua manifestação clínica e bioquímica. A maioria das mulheres SOP (38%-88%) está acima do peso ou é obesa. Assim, existem ligações estreitas entre obesidade e SOP.

A perda de peso modesta (cerca de 5%) muitas vezes resulta em melhorias clinicamente significativas nas características reprodutivas, hiperandrogênicas e metabólicas da SOP. Vale reforçar que muitas mulheres que têm SOP também têm resistência à insulina. Para detectar o ovário policístico, são necessários exames clínicos e o ultrassom, por meio do qual serão percebidos muitos folículos presentes em cada ovário. 

Como vimos, muitos são os fatores que atrapalham a perda de peso ou colaboram para o ganho de peso.

É preciso conhecer esses “elementos de fundo”, muitas vezes invisíveis, que podem estar prejudicando seu projeto de ter uma vida mais saudável.

Por isso, é sempre indicado procurar uma avaliação especializada para elaborar um projeto de emagrecimento responsável, personalizado e profissional.

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