Qualidade muscular: por que ter muitos músculos não é sinônimo de força

Qualidade muscular: por que ter muitos músculos não é sinônimo de força

Você já deve ter se perguntado como saber se você ou se determinada pessoa é forte fisicamente

Ao contrário do que muita gente supõe, o fato de a pessoa ser musculosa não significa necessariamente que ela seja forte.|

Quando o assunto é força, devemos focar não apenas na quantidade de músculos, mas também em sua qualidade.

Para se ter uma ideia, duas pessoas com músculos igualmente volumosos podem ter diferentes níveis de força.

Além disso, esse fenômeno pode acontecer no corpo de uma mesma pessoa. É possível, por exemplo, ter uma perna mais forte que a outra. Damos o nome de qualidade muscular (QM) a este fenômeno.

Mas, exatamente, o que é a qualidade muscular?

A QM é a capacidade de um músculo produzir força por unidade de volume. 

Vamos entender melhor do que os músculos são constituídos e como eles funcionam. 

Como os músculos são formados? 

Muita gente batalha duro para obter músculos mais fortes e o corpo mais tonificado, muitas vezes sem entender como esse elemento corporal funciona na dinâmica do organismo.

O músculo é composto pelo tecido contrátil e pelo tecido não-contrátil. O tecido contrátil é constituído por fibras especializadas que permitem ao músculo exercer força. É tão importante em exercícios aeróbicos, como correr, quanto em exercícios anaeróbicos, como musculação.

O tecido não-contrátil, que consiste principalmente de tecido conjuntivo e tecido adiposo (gordura), também é importante para o músculo de diferentes maneiras. O tecido conjuntivo fornece integridade estrutural ao músculo e os depósitos de gordura no interior do músculo podem ser uma fonte de energia.

No entanto, quando a gordura se acumula em excesso, aumenta a porcentagem não contrátil do músculo e reduz a qualidade muscular, mesmo que o músculo não possa diminuir visivelmente, sua capacidade de produzir força diminuirá. 

No tecido contrátil e no tecido não-contrátil existem as fibras musculares, dispostas em paralelo, e que têm grande quantidade de miofibrilas.

E o que são as miofibrilas?

Esses elementos são compostos por dois filamentos de proteína – a actina e a miosina, que formam os chamados “sarcômeros” – a unidade funcional da contração muscular. São esses componentes que fazem os músculos relaxarem ou contraírem. E o que é a qualidade muscular?

A QM é determinada pelas quantidades relativas desses tecidos contráteis e não-contráteis. A fórmula é a seguinte: 

Quanto maior a proporção do tecido contrátil de um músculo em relação ao tecido não-contrátil, maior a quantidade de força que ele pode produzir e, portanto, maior sua qualidade muscular.

Por isso, quanto mais tecido contrátil for constituído em um músculo, mais forte será e maior será a qualidade do músculo.

Um estudo de 2014 publicado sob o título “Quantidade de Músculos não é Sinônimo de Qualidade de Músculos”, de Sébastien Barbat-Artigas e seus colegas da Universidade de Quebec, no Canadá, reforça esse entendimento.

Os resultados mostram que a massa muscular, a obesidade e a idade influenciam a relação entre qualidade muscular e função física, sugerindo que esses fatores devem ser levados em consideração na interpretação da musculatura.

Dessa forma, se os níveis de gordura corporal forem altos, o músculo terá uma qualidade muscular comprometida e, da mesma forma, o envelhecimento — com a sarcopenia — pode afetar negativamente a qualidade dos seus músculos de diferentes maneiras. (Vale lembrar que a sarcopenia é o processo progressivo de perda da massa muscular, comum no envelhecimento).

Em outro estudo, Hughes e colaboradores relataram que menos de 5% das alterações na força muscular eram motivadas por alterações no tamanho do músculo. Eles indicam um provável envolvimento de fatores neurais que contribuem parcialmente para a dissociação entre massa muscular e função muscular.
No entanto, a maior parte dessa dissociação pode ser explicada por fatores específicos do músculo e variações em sua capacidade intrínseca de gerar força — ou, a qualidade muscular.

Embora a qualidade muscular seja geralmente calculada como a razão da força muscular por unidade de quantidade muscular, na verdade reflete várias características musculares.

Entre os fatores que influenciam na qualidade muscular, podemos destacar: 

  • Arquitetura dos músculos; 
  • Composição em termos de tipagem de fibras ou seu conteúdo lipídico);
    Capacidade aeróbica; 
  • Ativação neuromuscular; 
  • Capacidade dos tecidos conjuntivos em transmitir a força produzida pelos tecidos contráteis. 

É por causa das variações em uma ou mais dessas características que compõem a qualidade muscular que indivíduos com a massa muscular semelhante não têm força muscular semelhante.

As diferenças na qualidade muscular podem ocorrer não apenas entre indivíduos, mas também entre os mesmos músculos em diferentes lados do corpo, o que nos leva à questão do início: 

É possível ter uma perna mais forte que a outra? 

Se a qualidade muscular da perna direita for maior que a da perna esquerda, por exemplo, ela produzirá maior força durante a corrida.

Isso pode resultar em sutis diferenças de alinhamento do quadril e pernas que podem reduzir a eficiência da corrida e, com o tempo, aumentar o risco de lesões.

Embora a qualidade muscular não reflita necessariamente o seu nível de condicionamento físico, fortes evidências sugerem que equalizar diferenças entre as pernas aumentará o desempenho e reduzirá o risco de lesões.

Como saber a qualidade muscular? 

Depois de explicarmos a composição dos músculos, chegou a hora de entender como saber e medir a qualidade muscular.

A qualidade muscular é difícil de ser mensurada, pois os cálculos típicos de qualidade muscular envolvem algum tipo de teste de força máxima da musculatura envolvida. Também inclui uma medida de sua massa muscular ou área transversal usando equipamento eletrônico sofisticado, caro e relativamente inacessível.

O ultrassom é uma maneira cada vez mais disponível, conveniente e não invasiva de medir a qualidade muscular mais diretamente.

A boa notícia é que é perfeitamente possível melhorar a qualidade da musculatura. Para aumentar a performance de seus músculos, você deve aumentar a força do tecido contrátil, reduzir a quantidade de tecido não contrátil ou fazer as duas coisas simultaneamente por meio do treinamento de força e reduzir o tecido adiposo intramuscular. 

Foque em treinamentos de força e na velocidade de execução —nada de fazer mil repetições mal feitas. É melhor realizar a movimentação com uma carga em que seja possível controlar o exercício.

Deixe o celular de fora, evite ficar conversando durante o movimento ou fazendo o exercício de qualquer jeito.

Lembre-se: a qualidade do treino importa muito mais que a quantidade.

Executando exercícios da forma correta e com supervisão profissional, você melhorará seu desempenho esportivo, reduzirá o risco de lesões e aumentará suas atividades diárias e seu estado de saúde, seja você um atleta ou não atleta, idoso ou jovem.

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